Metropolitan, de Whit Stillman

Um grupo de amigos reúne-se em belos apartamentos de Manhattan para falar sobre um pouco de tudo. As conversas vão da burguesia ao socialismo, da geração dos pais à dos filhos. Há jogos, brincadeiras, verdades e discussões às claras.

São amigos e tentam manter a união. Ao passo que avança, Metropolitan, de Whit Stillman, mostra que o grupo talvez não dure para sempre. Manhattan, local em que vivem e se divertem, torna-se pequena demais.

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Ali, no coração financeiro do mundo, eles vivem em um universo fechado, presos às mesmas pessoas, aos mesmos círculos e festas, a falar dos mesmos, a comentar os dramas que ora ou outra retornam, com inevitáveis amores.

Stillman apoia-se em diálogos, faz pensar em Woody Allen. Suas personagens estão sempre em dúvida, atoladas naquela grande ilha e cercadas por aparentes certezas que não existem: sofrem para sair dali ou por coisas ainda menores. São inteligentes, discutem sobre tudo, mas não viveram o suficiente. Há conhecimento, não experiência.

A personagem central é Tom Townsend (Edward Clements). Ao contrário dos outros, ele tem recursos financeiros limitados. Tem suas próprias regras: não anda de táxi e parece acreditar no socialismo. Sua justificativa a respeito do transporte é simples: ele vive em Manhattan e conta com bom transporte público.

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A certa altura, no fim de um encontro, o jovem prefere ir caminhando ao seu apartamento – contra o frio, contra o convite dos amigos, que preferem o táxi. Curiosamente, ele conhece esses amigos justamente ao ser convidado a dividir uma corrida de táxi. Termina no apartamento de pessoas desconhecidas e faz amizades.

Quando menos percebe, faz parte do grupo. Começa a frequentar seus encontros. Aos poucos, entre uma passagem e outra, chama a atenção da jovem Audrey Rouget (Carolyn Farina). Lado a lado, falam de Jane Austen, de crítica literária.

Ela apaixona-se, mas ele ama outra garota, Serena (Ellia Thompson). Como nas obras de Allen, são necessárias algumas voltas para chegar ao mesmo lugar, à descoberta do que sempre pareceu evidente, sobretudo ao espectador.

Nessas obras de encontros e desencontros, de diálogos sem sentido para desviar seus autores do desejo óbvio, os aparentes adultos falam como adultos enquanto mais parecem crianças. Do espectador, não escondem quase nada.

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Serena não é para Tom – e ele parece o único a não reparar nisso. E Audrey ainda sonha com o grande amor. Diz que amou apenas alguém em toda sua vida – justamente o rapaz que, naqueles dias frios de Natal, passou a fazer parte do grupo.

Metropolitan mostra a mudança desses jovens, a impossibilidade de ficarem presos àquela ilha, ou àquelas festas e apartamentos. O grupo logo se desintegra. É natural. Uma das moças encontra um companheiro, um rapaz vai embora.

A certa altura, no encerramento, Tom descobre que precisa ir atrás de Audrey – mesmo não parecendo amá-la por completo. Terminam à beira mar, nas únicas cenas que não se passam em Manhattan. Ela vai se mudar para a França a estudos. Ele reconhece que se trata de uma boa ideia. O filme é sobre o amadurecimento, sobre a mudança.

Na sequência mais bela de Metropolitan, Tom passa em frente ao prédio em que vive seu pai e, na calçada, encontra uma caixa com seus velhos brinquedos. É sua infância perdida, da qual talvez não tenha percebido a distância. Simples choque de realidade.

(Idem, Whit Stillman, 1990)

Nota: ★★★★☆

Veja também:
Longe Deste Insensato Mundo, de Thomas Vinterberg

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