Bastidores: Código Desconhecido

Binoche recorda a sequência de Código Desconhecido em que tem de atacar uma criança: “Foi muito difícil esbofetear o menino. Michael não queria se envolver com tanta proximidade. Ele me disse: ‘Está tudo bem’. Mas eu podia ver nos olhos do pequeno menino que era um tipo de humilhação. Pedi-lhe para me esbofetear primeiro, mas ele não faria isso”. Colocado dessa forma, é a saída à condenação: munição perfeita para detratores e inimigos de Haneke. Mas Binoche é uma boa amiga, e ela entende com reservas o que os outros leem como frieza. “Ele precisa que o lugar desconfortável”, ela me disse, acrescentando: “Ele gosta de provocar. Filmar para ele é um meio ativo, não sedativo. Ele quer acordar você”. Algo sobre a cena do tapa, porém, ressoa com dor mais profunda. Como Haneke me disse: “Você pode mostrar todas as deficiências de uma sociedade através de seus filhos, porque eles estão sempre no primeiro degrau. Então, são animais. Eles são aqueles que não podem se defender. São vítimas predestinadas”.

Anthony Lane, no perfil do cineasta Michael Haneke para a revista The New Yorker (outubro de 2009; tradução deste blog). Na foto, Juliette Binoche ao lado de Haneke.

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