Realidade e representação

Fitzcarraldo fez transportar seu navio por cima de uma montanha, mas Herzog também. Aguirre comandou a descida de uma expedição dos Andes até a floresta Amazônica, assim como Herzog. As filmagens aconteciam em meio a desastres, crises e acidentes. Os índios se ofereceram a Herzog para matar Kinski. Herzog precisava de um ator obsessivo como ele próprio, capaz de levar seu trabalho tão a sério a ponto de arriscar-se a morrer e a matar. Um ator que borrasse as fronteiras entre realidade e representação, que atuasse o tempo todo e, portanto, nunca estivesse atuando, que fosse um louco e um virtuose de sua arte.

Otavio Frias Filho, sobre a relação entre o cineasta Werner Herzog e o ator Klaus Kinski nos filmes Fitzcarraldo (foto abaixo) e Aguirre, a Cólera dos Deuses (Folha de S. Paulo, fevereiro de 2001).

fitzcarraldo

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