Kingsman: Serviço Secreto, de Matthew Vaughn

Começa com “Money For Nothing”, de Dire Straits, quando um grupo de espiões invade uma base inimiga no Oriente Médio. Termina com “Slave to Love”, de Bryan Ferry, a balada romântica de 9 Semanas e Meia de Amor, momento em que o herói, também espião, prepara o champanhe para alguns momentos com uma princesa.

São as misturas de Kingsman: Serviço Secreto, de Matthew Vaughn, cuja pretensão não é ser levado a sério, mas divertir. Abusa-se dos clichês, brinca-se o tempo todo.

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Há, por exemplo, jovens treinados para ser espiões, um vilão infantil que deseja acabar com a maior parte da raça humana, um cientista sequestrado, uma vilã com lâminas nas pernas e outras tantas coisas vistas em outros muitos filmes.

Não há limites para essa brincadeira: toda a emoção lançada na tela está na precisa direção, na maneira como Vaughn abusa da violência, do sangue e de um protagonista que não pede para ser amado pelo espectador.

É um daqueles jovens de periferia, chato, que usa boné e jaqueta, que tem uma mãe que se relaciona com o homem errado e cuja irmã pequena chora enquanto essa mesma mãe – na frente da televisão, claro – só dá atenção para o namorado imoral.

O jovem é Eggsy (Taron Egerton), filho de um espião morto em combate. Mais tarde, um parceiro de seu pai, Harry Hart (Colin Firth), sente a obrigação de ajudar o garoto e o coloca em treinamento na agência secreta Kingsman, escondida atrás de uma loja de ternos caros, vendidos para homens diferentes de Eggsy.

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Se por um lado há contornos de James Bond, por outro não se limita a ser politicamente correto. Em Kingman, até os líderes mais influentes do mundo – incluindo o presidente americano – aceitam as propostas do vilão interpretado por Samuel L. Jackson.

Sua ideia para destruir a raça humana – o “câncer do planeta” – chega a ser interessante: ele cria um chip para celular que promete internet gratuita à população e esconde um sinal capaz de transformar pessoas pacatas em seres violentos.

A melhor sequência do filme passa-se nos Estados Unidos, em uma igreja cheia de fiéis conservadores, na qual o pastor diz palavras de ordem. O local serve de teste para o sinal do vilão. Não poderia haver ambiente mais curioso para tanta violência: entre socos, facadas e tiros, Hart mata um a um, todos que cruzam seu caminho.

A mensagem é certeira: no futuro, diz o filme, a tecnologia torna-se fanatismo e as pessoas correm o risco de retornar às origens. Ou seja, à selvageria. E a salvação proposta pelo vilão, por sinal, inclui a solução bíblica: uma arca na qual serão guardadas algumas pessoas, os escolhidos para repovoar o mundo.

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Mas esses escolhidos pagam o preço: em suas cabeças são implantados chips que podem explodir, e, em Kingsman, certamente irão – sempre como brincadeira.

A parte final, com “Slave to Love”, faz pensar se toda essa bagunça valeu a pena, se é possível sair do cinema com algo. Talvez sim, talvez não. O que não se pode ignorar é a diversão, sem que se esqueça de algumas questões sérias – tratadas de passagem.

Não deixa de ser o típico produto que atualmente domina as salas de cinema, mas com um pouco mais do que prevê a embalagem. Devido ao estado atual de algumas grandes produções feitas para a tela grande, chega a ser raro.

Nota: ★★★☆☆

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