Os cinco melhores filmes de Maurice Pialat

Nem todos os diretores conseguem uma carreira longa e regular. E nem todos têm a sorte de começar de forma explosiva. Maurice Pialat, por exemplo, dirigiu alguns bons curtas-metragens antes de seu primeiro longa de ficção, o forte Infância Nua.

O melhor ainda estava por vir. E fez justamente o melhor filme sobre Van Gogh ao não tentar decifrá-lo, além de entregar a Gérard Depardieu algumas de suas melhores personagens – em Loulou, Polícia e Sob o Sol de Satã. Fez isso e muito mais, como se vê na lista abaixo.

5) Infância Nua (1968)

O olhar do garoto, quando deixa a primeira família que o abrigou, ganha destaque pela câmera de Pialat: é aquele olhar que resume o filme inteiro. Como outros filmes sobre infância marginalizada, Infância Nua não pretende explicar por que o garoto age dessa forma, por que encontra na violência um canal para sua vida. Seu rosto sempre deixa a confusão entre maldade e bondade, um pouco como é a infância.

infância nua

4) Nós Não Envelheceremos Juntos (1972)

Por seu papel nada fácil, Jean Yanne ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes. No longa, ele vive um cineasta com problemas intermináveis com a companheira: brigam e voltam praticamente o filme todo, enquanto o espectador questiona por que Catherine (Marlène Jobert) aceita-o de volta. O amor é estranho, com dependência, algo irracional. É também cru, direto, como em outros filmes de Pialat.

nós não envelheceremos juntos

3) Aos Nossos Amores (1983)

Ao longo dessa filmografia, Aos Nossos Amores chega com a sexualidade. Com as descobertas de uma jovem garota loura (Sandrine Bonnaire), que faz sexo com meninos e talvez esteja apaixonada por um deles, com quem não deverá casar. Também descobre que o mundo adulto inclui confrontar a família e aceitar a saída do pai (o próprio Pialat).

aos nossos amores

2) Van Gogh (1991)

Quem se acostumou com a interpretação de Kirk Douglas como Van Gogh, em Sede de Viver, pode ter um choque ao encontrar Jacques Dutronc. Seu Vincent Van Gogh, na verdade, não pode ser encontrado: é inconstante, recluso, às vezes silencioso na forma como dá as costas ao mundo. A ideia de Pialat leva justamente ao anterior Aos Nossos Amores, quando utiliza uma frase do pintor: “A tristeza durará para sempre”.

van gogh

1) Sob o Sol de Satã (1987)

Esse filme comovente, ao mesmo tempo aterrorizante e estranho, rendeu a Pialat sua Palma de Ouro – com vaias de parte da plateia. Tem ao centro um padre (Gérard Depardieu) que questiona sua própria vocação, que sai em viagem e se depara com o próprio Diabo, também com Mouchette (Bonnaire), jovem e grávida, ao centro da sequência mais forte dessa obra milagrosa.

sob o sol de satã

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