Invencível, de Angelina Jolie

O indestrutível Louis Zamperini (Jack O’Connell) não tem defeitos. É o americano ideal, ou idealizado. O herói da Segunda Guerra Mundial, preso àquele tempo. Em Invencível, não necessariamente o herói que dialoga com o tempo atual.

No papel de cineasta, Angelina Jolie deseja retornar a esse homem passado, nada cínico, honesto do começo ao fim, forte em seu corpo magro, em seus ossos saltados.

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Zamperini tem uma história sedutora. É necessário dizer que se baseia em “uma história real”. Caso contrário, talvez ninguém acreditasse. E Jolie nada faz para que pareça realista. Ela persegue o mito do “homem perfeito”.

Seu herói foi medalhista olímpico, herói antes de ser herói. Quando a Segunda Guerra estourou, fez o que faziam os homens honestos: alistou-se. O início alterna sequências da batalha sobre o mar com o passado de Zamperini.

Vem à tona a importante relação com o irmão e, depois, sua resistência fora do comum. Em momentos, parece um rapaz como qualquer outro, mas avança: a certa altura, mesmo cansado e cambaleando, enquanto trabalha em um campo de concentração, consegue erguer uma estrutura de madeira. Grita, mostra força contra o inimigo.

A direção de Jolie é sempre esquemática, o que acaba levando à falsidade: à medida que Zamperini parece ser o “escolhido”, o “homem de ferro”, o vilão é o cínico afeminado, o japonês que precisa mostrar sua força à base da humilhação do outro, como fazem os carrascos em campos de concentração.

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E não para por ai: o vilão, diz Jolie, é frustrado, alguém que deverá entender – de uma forma ou de outra – que os americanos são os “inquebráveis”. Aproveita-se dos rumos da história, o que não a deixa mentir: os americanos venceram, os japoneses saíram por baixo. Com homens como Zamperini, não perderiam nunca.

Não há nada ao meio de Zamperini e o vilão Watanabe (Takamasa Ishihara), conhecido como “o Pássaro”. Nada há de real – ou quase – na exposição do drama. Para fazer seu americano indestrutível, Jolie paga o preço com o vilão desinteressante, que tenta ser levado a sério tanto quanto o herói bondoso.

Homens como Zamperini só existem no cinema, o que não é necessariamente um problema. O que incomoda é a maneira como Jolie tenta dizer, a todo o momento, que ele é um exemplo, o americano tranquilo e talvez o cara comum – quando não é. Enquanto retira qualquer traço de imperfeição do herói, Jolie também o priva de humanidade, essencial a um filme como Invencível.

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Após ficar perdido no oceano por mais de um mês e quase se tornar comida de tubarão, o herói é resgatado pelos japoneses. Primeiro é espancado e, em um campo de prisioneiros, conhece seu oposto: “o Pássaro”.

Tem a chance de avisar sua família, pelo rádio, que está vivo. Os japoneses malvados tentam subornar Zamperini, para que fale inverdades por meio do mesmo veículo de comunicação. O preço de sua recusa é o retorno ao campo de concentração.

Em outro local, trabalhando com carvão, ele novamente encontra o antagonista, e terá a chance, de novo, de mostrar força. Preso, tem de “guerrear” de outra forma, com sua resistência. É a saída para o mais fraco ser o mais forte, o que se viu antes, de maneira mais interessante, em A Ponte do Rio Kwai.

As voltas levam a mais apelações, a mais golpes baixos do vilão japonês, a mais demonstrações de força do americano. É a guerra de efeitos de Jolie.

Nota: ★☆☆☆☆

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