Clube da Luta (15 anos)

Os méritos de Clube da Luta não são explícitos. A obra de David Fincher mistura muita coisa, e às vezes parece confusa. Aborda esquizofrenia e critica a sociedade de consumo, com as fugas do americano médio, encurralado em sua vida comum.

A lembrança maior está nas pancadas, nas explosões, nas frases do estranho Tyler Durden (Brad Pitt): em tudo o que é violento demais.

clube da luta

Lançada em 1999, a obra foi atacada pelos moralistas de plantão, a exemplo de outros filmes que se tornaram cult com o passar dos anos. É o caso de Laranja Mecânica, de Kubrick, que chegou a ser banido dos cinemas da Inglaterra.

Em seus 15 anos, o filme de Fincher continua forte, assustador. Fincher, como costume, mergulha no lado obscuro da sociedade americana, como faria outras vezes.

Antes de Tyler, o espectador conhece a personagem de Edward Norton, protagonista e narrador, homem sem nome. Ele tem seus problemas: sofre com insônia, vaga como um zumbi em seu trabalho e tem o típico chefe de terno e gravata, da empresa que se embrulha em números.

Tyler surge na vida do protagonista em alguns flashes, em imagens rápidas. Surge aos poucos, entre um quadro e outro, e se o espectador piscar corre o risco de não vê-lo. E quando surge em definitivo, oferece ao novo amigo os sabonetes que leva na mala. Tyler – forte o suficiente para dar de ombros à sociedade – é exatamente o que o outro desejaria ser: alguém com coragem de escapar, ou confrontar o sistema.

A personagem de Edward Norton precisa de Tyler. É a forma que encontra para colocar fim a seu belo apartamento de produtos comprados pela internet, para acabar com aquela vida de catálogo, embalada por um trabalho desejável.

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E quando surge a luta? Pouco depois das incursões do protagonista por reuniões motivacionais, de pessoas doentes. Cada dia está em um novo local: às vezes ao lado de homens com câncer nos testículos, às vezes com tuberculosos.

Assim, ele começa a dormir bem à noite. A mensagem do filme de Fincher é contundente: a personagem busca a desgraça nessas reuniões do mesmo modo que todos, nesse mundo moderno e vazio, buscam a desgraça na televisão, nos filmes, em todos os cantos nos quais todos são bombardeados pela indústria do espetáculo.

A personagem sem nome precisa dessa desgraça: primeiro nas reuniões, depois na luta do clube fundado com Tyler, e ainda depois no grupo terrorista que deseja colocar um fim àquele sistema desonesto – a começar por um punhado de prédios nos quais se celebra a vida americana de terno e gravata.

“Filme perigoso”, disseram alguns, limitados à mera superfície: o filme sobre homens lutando em buracos escuros. As lutas são reais, vale lembrar, e não tem a violência gráfica que tanto invade as salas de cinema na atualidade. Gostar do filme não significa gostar de suas personagens. Como em Laranja Mecânica, vale mais a crítica.

Nota: ★★★★☆

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