Mesmo Se Nada Der Certo, de John Carney

A relação entre Gretta (Keira Knightley) e Dan (Mark Ruffalo) não se define. Às vezes mais parece amizade do que amor, às vezes o oposto. Isso ajuda a manter certa graça em Mesmo Se Nada Der Certo. O casal em cena não procura atender às expectativas do público e, ainda assim, deixa algo no ar, entre um olhar e outro.

O filme de John Carney é um musical divertido sobre começar de novo (como aponta o título original). Dan está por baixo, Gretta também. Ele é um produtor musical que já teve seus dias de glória: prêmios, reconhecimento e uma família. Tudo desmoronou.

mesmo se nada der certo1

No carro, quando sua filha questiona sobre o cheiro de álcool, ele apenas diz ter derramado gasolina sobre o corpo, por acaso. Dan está na pior: sem emprego, sem o reconhecimento da família, de bar em bar, um pouco bêbado.

Então aparece Gretta, também sua história. O filme começa com a subida dela ao palco, mesmo contra sua vontade. Ela reluta e segue. Antecipa o que vem pela frente: um filme de pessoas aos trancos, em busca de saídas na grande metrópole.

Na plateia, Dan deixa-se levar pela música dela: imagina o que ocorreria se houvesse uma banda ao fundo para acompanhá-la. A bebida confere-lhe certa iluminação.

Como o produtor, a cantora e compositora tem problemas. Perdeu o namorado, um cantor famoso (Adam Levine), e procurou abrigo na casa de um amigo simpático. É o tipo de filme em que sobram amigos simpáticos, onde não há espaço para pessoas maldosas. Nova York é amigável, como imaginam os turistas.

Mesmo Se Nada Der Certo explora diferentes situações ao mesmo tempo, seu ponto fraco. Quando o filme ganha ritmo, o drama da menina retorna, ou mesmo o da filha de Dan – com roupas curtas e desajustada.

Celebrity Sightings In New York City - July 3, 2012

O ponto forte, por sua vez, está na leveza, na forma como Carney faz tudo parecer real. Os “trancos” são passageiros, sabe-se, e o amor entre o casal central talvez não seja o mais importante por aqui. Essas pessoas vivem em apartamentos bagunçados e sempre estão pela rua, a dançar e se divertir, com suas velhas canções favoritas.

A música é uma forma de conexão. A certa altura, Gretta coloca “As Time Goes By” para Dan ouvir. Estão em Nova York, ao som da canção de Casablanca. Poderia ser um momento de toque, um início, mas Carney não arrisca inclinar o filme ao romance esperado. É como se dissesse que as pessoas, na vida real, não têm a exata hora para se beijar e nem sempre dizem o que se espera delas.

E mais: talvez o amor não seja como antes, sempre definido, sempre feito das intenções esperadas. Dan e Gretta funcionam assim, a certa distância. Até parecem verdadeiros nessa fita de gente honesta em busca de superação. Dizem sem dizer: “merecemos chegar lá”. Sem perceber, o espectador concorda com tudo. É fácil gostar deles.

Nota: ★★★☆☆

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s