Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho, de Daniel Augusto

A história do escritor Paulo Coelho passa-se em três tempos diferentes: na adolescência, com os conflitos com a família, rebeldia, sexo e drogas; na fase adulta, com a trajetória até lançar O Alquimista; e, por fim, a fase que se aproxima da atualidade, quando viaja para a festa de comemoração de 25 anos do mesmo livro.

Em cada parte está um homem – ou um rapaz – em confronto com si mesmo e com os outros, alguém deslocado. Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho é sobre a dificuldade de encontrar um caminho: de definir o que fazer no futuro ou, mais tarde, de viver quando tudo parece ter sido conquistado.

não pare na pista

Não por acaso, o filme termina com o Paulo Coelho de cabelos brancos, poucos porém longos, em sua caminhada, como se nada tivesse acabado – como se fosse necessário continuar essa busca mais interior do que exterior.

O filme de Daniel Augusto não empolga. O roteiro não linear de Carolina Kotscho propõe peças embaralhadas, a mescla do jovem rebelde com o homem desbravador, do comunista ao ser espiritual e ponderado.

Enquanto dramas do passado ganham peso, no presente apenas se vê um Paulo em busca de algo difícil de entender: às vezes cansado, às vezes agitado e capaz de roubar um veículo para correr livre, com a companheira, pelas estradas da Espanha.

Cada tempo reserva um homem. Nem sempre parece o mesmo, e nem sempre pode ser verdadeiro como se espera. Na juventude, os vícios: o jovem que quer escrever, que não se liga ao materialismo do pai, depois a formação que vai das influências de Aleister Crowley à série Star Trek e Raul Seixas.

Antes faz de tudo e, depois, nada parece fazer. Apenas vaga, falso, com aquela maquiagem pesada que mais distancia do que aproxima à imagem do Paulo atual, que já vendeu milhões de livros em diferentes línguas.

O filme, querendo ou não, não chega a decifrar o homem. Prefere expor mistério, das experiências físicas e exageros do passado (do jovem nascido nos anos de chumbo), ao ser fechado, ainda a percorrer um caminho. Ao mesmo tempo, muito e quase nada.

Nota: ★☆☆☆☆

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s