Algumas considerações sobre Tootsie

O protagonista, Michael Dorsey, precisa se tornar uma mulher para conseguir um emprego como ator. Não é fácil viver em Nova York, onde só é possível vencer quando se vive outro papel. O palco é dos falsos, e a comédia é sempre doce, nunca dolorida. É como se houvesse um aviso prévio: a falsidade impera.

Michael, vivido por Dustin Hoffman, torna-se Dorothy Michaels. Faz sucesso, conquista o coração dos americanos com um programa de televisão aparentemente bobo, de piadas e personagens mais que manjadas.

Tootsie

Do homem sofisticado, ator versátil e indomado, passa a uma mulher de aparência comportada, conservadora, com gritinhos na medida para fazer o público rir. Em Tootsie, de Sydney Pollack, o que chama a atenção é esse caminhar à América careta dos anos 1980, àquela televisão sem graça, com pessoas que a refletem.

E, por isso, não poderia ser diferente: como em Se Meu Apartamento Falasse, no qual as críticas ao jeito americano de ser são evidentes, em Tootsie os excessos não poderiam faltar. Pollack não chega à acidez de Wilder e, por outro lado, entrega um protagonista quase inflexível, não o homem bondoso de Jack Lemmon.

O riso é garantido. Há belas músicas, belo elenco. Interessante como essa troca de papéis – entre homens e mulheres – dá sentido às coisas ao invés de bagunçá-las. E interessante, ainda mais, como é preciso “ser” mulher para entender a outra, ou simplesmente para invadir o círculo no qual homens não têm espaço.

Anúncios

2 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s