Algumas observações sobre Três Mulheres

É, talvez, o filme mais complexo de Robert Altman, obra que ele teria iniciado sem roteiro, a partir de um sonho. Ao centro estão duas mulheres. A terceira está aos cantos. Começa em uma casa de repouso para pessoas mais velhas: local ao mesmo tempo cercado pela morte (pela presença da velhice) e pela vida (na água que remete ao rejuvenescimento, ao renascimento, à gestação).

Tudo começa na água. No fundo da piscina estão as pinturas da terceira mulher, a mulher grávida cujo drama, ao fim, leva ao isolamento – talvez à loucura – dessas três damas. A mais jovem e infantil é Pinky (Sissy Spacek). A do meio deseja ser sexualmente livre e busca a atenção dos outros. É vivida por Shelley Duvall.

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A mais jovem, recém-chegada, busca a atenção e o amor da outra, e talvez deseje se tornar ela, em uma união que remete a Persona, de Bergman. O diretor americano nunca escondeu a inspiração gerada pela obra sueca.

O começo leve não deixa prever o encerramento pesado: o nascimento que traz a morte, o sangue sobre o corpo da mulher, tal como a presença das três em uma única casa, no fundo daquele bar, ao lado do deserto no qual os homens correm com suas motos.

O filme é um enigma proposto por Altman, outras vezes genial ao compor histórias repletas de personagens, cômicas, sobre a vida americana. Com Três Mulheres, é mais reflexivo, profundo, não menos brilhante.

Abaixo, Altman nos bastidores.

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