Confissões de Adolescente, de Cris D’amato e Daniel Filho

Os adolescentes vivem em meio ao exagero. O primeiro beijo é um problema que, depois de resolvido, torna-se algo estranho. A virgindade é outro problema: depois que chega, é como se todos – todos à volta daquela menina loura, de pele como leite – também revelassem que fazem sexo. O mundo revela-se.

Essa é a luta travada na nova versão de Confissões de Adolescente: tornar interessante o que tantas vezes foi mostrado. Ou seja, o mundo adolescente e seus dilemas. A proposta é mostrada em uma rede, com um bando de jovens, seus problemas, suas brigas, suas descobertas, suas fugas. Também a constatação dos problemas do mundo adulto quando o pai, tarde da noite, chama as filhas para uma reunião e avisa que será necessário fazer economias para que todos possam viver ali, naquele belo apartamento.

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O filme de Cris D’amato e Daniel Filho tem um pouco de paixão, um pouco de entrega. Tem até sequências corajosas e palavras fortes. Quer ser real, no fundo, mas termina um pouco falso, esquemático, às vezes mais perto da infância do que da juventude.

Claro que a distância da infância não é grande e todos têm reações normais a essa fase da vida. Os adolescentes, nesse caso, transitam entre fases e deles não dá para esperar muita coisa. Ora mostram força, ora correm de todos e se escondem.

Mas são adolescentes e, como em As Melhores Coisas do Mundo, sempre é um problema mergulhar nesse mundo a partir da ótica de quem já passou por ele – todos, na verdade, já passaram ou vão passar. Diferente do filme de Laís Bodanzky, Confissões de Adolescente apenas às vezes se inclina à seriedade. Fica mais no campo da comédia, com aquele fim que poderia ser ambíguo não fosse a famosa canção.

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E não fosse a impressão de eterna felicidade. Não há algo profundo por aqui: todos sorriem depois das lágrimas e as praias do Rio de Janeiro nunca foram tão belas. Seria essa a visão da adolescência segundo a dupla de criadores, na qual as maldades e os problemas são facilmente atropelados pela união do desfecho?

Gostar dessa turma, sobretudo aos mais velhos que vão ao cinema, não é fácil. O problema é que, ao que parece, os diretores esforçam-se para fazer o público gostar desses jovens. Até mesmo a loura “mais desejada” da escola tem algo de aceitável à ótica da câmera, enquanto fruto de puro artificialismo (o que remete a uma novela para jovens). O espectador quase consegue odiá-la, mas não dá para levá-la a sério.

O problema é claro: Confissões de Adolescente não se assume como comédia ou drama, naquela zona em que não é uma coisa ou outra. É o tipo de filme para “estar bem”, sobre um mundo colorido apesar dos problemas e dos gritinhos.

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