Marilyn, por Norman Mailer

Era uma mulher estúpida e sexy, dirá certamente uma voz com indignada amargura, uma beldade com certa habilidade, uma infância infeliz e muita (e muita pouca) sorte, que conseguiu chegar longe com seu módico talento. Pode-se ir a qualquer cidade sulista e encontrar doze como ela. É uma voz familiar. Confortável. Mas, olhando para o fenômeno de seu grande apelo mundial – sua captura da atenção mundial foi napoleônica –, ao menos reconheçamos que a voz que a diminui fala com tanta autoridade quanto a voz romântica, ou seja, também é uma tese não comprovada e não faz mais que desdenhar da primeira, sem conseguir explicá-la completamente. Há milhões de mulheres estúpidas, confusas e com sorte, e nenhuma chega perto de Monroe.

Norman Mailer, em Marilyn (Editora Record). Leia aqui um texto sobre o livro.

nunca fui santa

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